Posts filed under ‘Entrevistas’
“Não existe aquecimento global”, diz representante da OMM na América do Sul
Especial para o UOL Ciência e Saúde*
Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.
UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.
UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.
UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas – algumas das que falavam da nova era glacial – que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.
UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.
UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.
UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.
UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.
UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.
UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.
UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.
UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.
UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.
UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.
UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.
UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.
UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.
UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.
UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.
Fonte: UOL.
____________________
*
Redação do blog.
Aquecimento global, tema falseado por alarmistas
Professor da Universidade de Brasília (UnB) apresenta sólida argumentação contra a tese de um atual aquecimento global do planeta, tão alardeada por cientistas, políticos e órgãos da mídia
![]() |
O livro Aquecimento Global: ciência ou religião? — lançado em Brasília no final de 2009 pelo Prof. Gustavo Baptista — é um desafio ao “dogma” do aquecimento global provocado pelo homem e um convite ao debate científico. Com muitas ilustrações e gráficos, mostra que o clima planetário segue uma dinâmica natural, com alternância de ciclos de resfriamento e aquecimento, sem interferência da ação humana.
Com muitos argumentos científicos, e com ironia própria a acrescentar um pouco de sal à polêmica, o Prof. Gustavo Macedo de Mello Baptista esclarece como as oscilações naturais da atividade solar, dos oceanos, dos vulcões e de outros elementos naturais interferem no comportamento da temperatura global.
Catolicismo já entrevistou sobre o assunto outros cientistas, como o Prof. Luiz Carlos Molion, o saudoso Prof. José Carlos Azevedo e o Dr. Emilson França de Queiroz, que contestam o propalado aquecimento global, veiculado sem base científica suficiente por políticos e certa mídia, e até por certo número de cientistas, os quais exageram e distorcem o papel da ação humana, criando um verdadeiro “terrorismo climático”. Desta forma, procuramos informar nossos leitores com opiniões abalizadas divergentes da posição de organismos da ONU ou da mídia em geral.
Voltamos ao tema nesta edição com uma entrevista do Prof. Gustavo Baptista, realizada pelo nosso correspondente na capital federal, Sr. Nelson Ramos Barretto. O entrevistado, além de autor do mencionado livro, é professor Adjunto I do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB). Possui graduação em bacharelado em Geografia pela UnB (1994), mestrado em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos (1997) e doutorado em Geologia pela mesma universidade (2001). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Sensoriamento Remoto e em Avaliação de Riscos e Impactos Ambientais.
* * *
Catolicismo — Com a queda do Muro de Berlim e o aparente desaparecimento do comunismo, não terão migrado para o movimento ambientalista os marxistas que se sentiram órfãos, a fim de continuar sua luta inglória? De vermelhos, não se metamorfosearam em verdes?
Prof. Baptista — É exatamente o que aconteceu, e surgiu uma classe que eu não consigo engolir: os indivíduos bio-desagradáveis; ou eco-xiitas, como preferir. As discussões ambientais viraram dogmas de fé, e quem contrariar as eco-verdades será condenado à fogueira. Se bem que a nova inquisição, a do aquecimento global, não possa enviar ninguém para a fogueira, porque lenha e o nosso corpo são feitos de carbono, e queimá-los liberará gases que vão incrementar o aquecimento global…
Não se discute ciência com essas pessoas. Quando me procuram e me perguntam se sou ambientalista, digo que sou um profissional de meio ambiente, e que não discuto os temas movido pela paixão, mas pela razão. Só o conhecimento nos liberta.
Catolicismo — Os cientistas céticos quanto à doutrina do aquecimento global, e que rejeitam termos em voga como “mudanças climáticas”, “créditos de carbono” etc, sofrem algum boicote pelos defensores daquela doutrina? Como os trabalhos desses não são publicados, certamente há casos de opositores que os acusam de não terem produção científica representativa.
A revista “Time” de 31-1-1977 apresentou como título de capa “O grande congelamento”, referindo-se a outro momento de transição entre períodos de resfriamento e aquecimento. |
Prof. Baptista — Gostaria de fazer uma pequena correção. Acredito em mudanças climáticas, sim, e que estamos entrando numa nova fase de resfriamento global, devido à baixa atividade solar observada até agora no ciclo 24 e prevista pelos ciclos de Gleisberg, além da nova fase fria da oscilação decadal do Pacífico. O que eu não acredito é que o homem seja o responsável pelo clima global. Localmente, é outra história! E já orientei diversos trabalhos sobre geração de créditos de carbono, pois existe um mercado estabelecido e pode-se ganhar dinheiro com isso. Não acredito nos motivos que levaram ao estabelecimento desse mercado, mas ele existe, e então vamos ver como lucrar com ele.
Com relação às acusações de boicote, tenho um exemplo, mas não darei nomes aos bois. Há algum tempo, uma ex-aluna minha no mestrado, que não concordava com minhas idéias, foi assistir a uma palestra de um dos medalhões do IPCC no Brasil e perguntou a ele o que achava dos chamados céticos. Ele disse que nós éramos inexpressivos em termos de produção científica. Mas é claro, pois se você não concorda com a moda, fica fora dela. Aliás, ele aparece tanto na televisão, que daqui a pouco vai estar fazendo propaganda de sandálias no intervalo da novela…
Isso me lembra Al Gore, que disse em entrevista no programa 60 Minutes, da rede norte-americana CBS, em 30 de março de 2008: “Não acredito que sejam muitas… Essas pessoas estão em uma minúscula, tão minúscula minoria agora. São quase como as que acreditam que o pouso na Lua ocorreu em uma fazenda no Arizona, ou como as que acreditam que a Terra é plana”. Assim se trata gente séria como se fossem idiotas.
Catolicismo — O bio-etanol é um tipo de tecnologia alternativa em relação aos combustíveis fósseis. Seria uma solução inteligente, não pelas emissões que produz, mas por ser uma fonte de energia renovável?
Prof. Baptista — Com certeza. Conheço um projeto de biocombustíveis baseados em oleaginosas, que está sendo implantado no alto oeste potiguar e visa mitigar a pobreza, sendo financiado pela JICA. As famílias vão plantar o girassol, processar o óleo em uma cooperativa, e há um acordo com a Petrobrás para a compra do óleo. Ou seja, você insere os indivíduos numa cadeia produtiva fechada, que gera riqueza, minimiza a pobreza e dá dignidade aos participantes. Acho fantástico.
Catolicismo — A energia nuclear, cujo retorno se propõe em alguns países como o Brasil, pode ser considerada uma fonte menos poluidora que os combustíveis fósseis, apesar dos graves inconvenientes originados pelo lixo atômico?
Prof. Baptista — Você tocou no ponto mais absurdo que a neurose do aquecimento global antropogênico (causado pelo homem) gerou: o retorno à energia atômica. O Brasil sempre foi visto com bons olhos por ter fontes de energia renováveis, e por utilizar hidrelétricas na geração de energia. Considerar viável a energia nuclear, é no mínimo complicado, devido aos resíduos gerados. Não podemos nos esquecer dos estragos que causou a uma região inteira na cidade de Goiânia uma bomba de césio 137 abandonada numa clínica. E Chernobyl é um exemplo clássico. Para mim, adotar essa política é andar para trás.
Catolicismo — De modo geral, as fontes de energia ditas alternativas são mais caras que as fontes baseadas em combustíveis fósseis?
![]() |
Prof. Baptista — No último capítulo do meu livro Aquecimento Global: ciência ou religião? (Editora Hinterlândia, 2009, 188 pp), faço uma consideração a esse respeito, quando digo que “as soluções encontradas para minimizar os efeitos do aquecimento global apóiam-se conceitualmente numa corrente chamada de modernização ecológica, que se baseia na internalização das preocupações com questões ambientais por parte de instituições políticas, que visam conciliá-las com o crescimento econômico. Isso é possível por meio da adoção de tecnologias ditas ‘limpas’”.
Mas elas normalmente são caras e inacessíveis aos pobres. Uma coisa é a Alemanha reunificada adotar tecnologias ambientalmente corretas, outra coisa é Moçambique adotá-las. Além disso, as tais fontes alternativas são pouco eficientes, e não suprem as demandas como as baseadas em combustíveis fósseis. Assisti a um documentário do Channel 4 britânico, que mostrava na zona interiorana africana um hospital que tinha recebido de uma ONG ambientalista um gerador fotovoltaico de energia solar. E as pessoas viviam um impasse: ou ligavam a geladeira ou acendiam a luz, pois a energia gerada era insuficiente para as duas coisas. Isso é cruel. Uma coisa é optar por produtos ambientalmente corretos e poder pagar mais caro por eles, outra coisa é empurrarem soluções tecnológicas caras que não resolvem o seu problema.
Catolicismo — A propaganda que se faz a favor de fontes de energia limpa e o empenho no combate a fontes provenientes de combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás, não terão razões políticas e econômicas por detrás? Quais seriam elas?
Prof. Baptista — Tudo tem algo subjetivo! O primeiro aspecto que gostaria de salientar é que, se o controle da emissão de CO2 se exerce por meio dos combustíveis fósseis, por aí se controla o mundo, pois em tudo vemos combustíveis fósseis. Não considero que a razão seja impor novas formas de “energia limpa”, mas isso acabou sendo a alternativa proposta.
Parece teoria de conspiração, mas se você pensar que no mundo surgem países como os BRIC, que se destacam dentre as nações em desenvolvimento — com o Brasil divulgando o pré-sal como o seu segundo descobrimento, a Rússia reestatizando seu parque petrolífero, a Índia com um grande desenvolvimento tecnológico à base de carvão e petróleo, e a China crescendo a mais de 10% ao ano — controlar a emissão é uma forma de manter o status quo. Você acha que os americanos e os europeus aceitariam calmamente perder sua posição de destaque no mundo? Ainda mais para essas nações emergentes, que estão querendo morder fatias cada vez maiores do bolo? Quem foi que disponibilizou recursos vultosos para se comprovar que os combustíveis fósseis aumentam os gases de efeito estufa? Quem promoveu a maior retirada de um produto do mercado, como foi o caso dos CFCs?
A mesma revista, em 3-4-2006, mudou o enfoque de 1977, com reportagem sobre o aquecimento global sob o título: “Fiquem preocupados. Muito preocupados”. |
Catolicismo — As agências de gerenciamento de recursos não procuram impingir como verdade uma maquiagem na teoria do aquecimento global?
Prof. Baptista — Na verdade, muita coisa começou a ser questionada após os escândalos de divulgação das manipulações de resultados pelos pesquisadores da Universidade de East-Anglia. Os espaços conseguidos pelos chamados céticos começaram a se ampliar. Vocês mesmos do Catolicismo já entrevistaram o finado Prof. Azevedo, a quem tive a oportunidade de enviar meu último livro, e de ter sua aprovação para o meu texto; e o caro Prof. Molion, um dos precursores no Brasil dessa corrente de pensamento. Mas hoje ainda é necessário colocar nas pesquisas a serem publicadas algumas palavras-chave, para ter aprovação. Eu consigo pesquisar, porque falo de seqüestro de carbono, mas meu interesse é na espacialização da fase clara da fotossíntese por imagens de satélite, e não pela remoção de carbono e os impactos sobre o aquecimento global.
Catolicismo — Em entrevista para uma edição de Catolicismo (janeiro deste ano), o Prof. Molion afirmou que o homem não tem condições de mudar o clima global, e que os oceanos, juntamente com a atividade solar, são os principais controladores do clima global. O Sr. poderia fazer algum comentário sobre esse tema?
Prof. Baptista — Eu concordo com Molion, pois esses são os principais motores do clima global. Eu incluiria a importância dos vulcões, pois quando ocorrem as erupções, a quantidade de material que bloqueia a entrada de radiação solar tem sua parcela no clima global. O vulcão do monte Pinatubo, nas Filipinas, foi responsável por uma redução de 0,5°C na temperatura global durante três anos. Comparativamente, o aquecimento dos últimos 100 anos foi da ordem de 0,7°C.
Vulcão Pinatubo, nas Filipinas |
Recentemente, a erupção do vulcão Eyjafjallajoekull, na Islândia, foi responsável pelo caos no sistema aéreo europeu, mas também pela primavera mais fria e chuvosa dos últimos anos em Portugal. Por aí se vê que eles têm sua parcela de responsabilidade no clima global.
Catolicismo — A mídia e os leigos no assunto freqüentemente confundem CLIMA e TEMPO. O Sr. poderia precisar os dois conceitos e estabelecer a distinção entre eles?
Prof. Baptista — Tempo é o estado momentâneo da atmosfera numa dada localidade. Ele é altamente variável. Compareci em maio a um seminário de Geografia Física em Portugal, e no dia em que chegamos, pela manhã estava muito frio; logo em seguida, próximo ao almoço, começou a chover; depois estiou e esquentou; e no fim do dia voltaram o frio e a garoa. Em um único dia experimentamos diversos estados da atmosfera (tempo), e ainda essa chuva atípica como resultado do vulcão Eyjafjallajoekull. Dessa parte da ciência, tratam os meteorologistas.
Já o clima é definido como a média dos elementos climáticos (temperatura, chuva, ventos, radiação solar, etc) durante um período de pelo menos 30 anos. Diz ele respeito portanto a uma série histórica, e os responsáveis por essa área somos nós, os geógrafos. Tenho um conhecido que estudou no seu doutorado, durante dois anos, o comportamento hídrico de uma encosta na Escócia. Ele teve uma sorte danada, pois o primeiro ano foi o mais seco da década, e o seguinte o mais chuvoso. Para ele entender como se comporta a água nessa encosta, nada melhor do que os extremos, mas ele não pôde caracterizar o clima daquela encosta com dois anos apenas. Resumindo: tempo é o estado momentâneo da atmosfera; e o clima, uma série histórica de pelo menos 30 anos.
Catolicismo — A difusão da doutrina do aquecimento global é sempre feita com base em acusações e ameaças. Será isso uma estratégia calculada, uma vez que é mais fácil manipular as pessoas influenciadas pelo medo? Poderia dar exemplos concretos da aplicação dessa estratégia?
Prof. Baptista — O medo é sempre a melhor forma de se impor algo. Quando queremos que os estudantes aceitem nossos pensamentos, é mais prático coibir com ameaças qualquer manifestação. De certa forma isso tende a ser mais confortável, pois os questionamentos podem colocar contra a parede os defensores de uma posição, principalmente se eles não estão seguros de suas convicções ou ainda não estudaram direito aquele ponto.
Eu penso de forma diferente. Não tento convencer as pessoas de que estou certo, mas mostro como penso, embaso com argumentos o que estou expondo. Em minhas aulas é muito comum, quando toco no tema do aquecimento global, que estudantes exponham seu descontentamento com o assunto; eu os respeito, pois são suas convicções. Na reunião da SBPC este ano, em Natal, haverá um debate meu com o Prof. Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, que apóia a linha do IPCC. Aceitei, pois respeito-o como pesquisador. Apesar de não conhecer pessoalmente o Prof. Artaxo, tenho certeza de que, se ele pensa de modo diferente da minha posição, devem ser legítimos seus argumentos, e ele acredita neles. Em segundo lugar porque discuto idéias, e não dogmas. Pode ser que ele me apresente argumentos que me façam pensar sob outros pontos de vista. A ciência evolui assim.
O mais emocionante na história da ciência é como os conceitos vão evoluindo e como as idéias vão avançando. Imagine se Galileu e tantos outros não tivessem contrariado a maneira de pensar de suas épocas. Estaríamos bem mais atrasados. Com certeza!
Fonte: Revista Catolicismo.
Terrorismo climático
Uma entrevista concedida pelo pós-doutor a revista Catolicismo. Contra o consenso. Vale a pena ler!
Em torno das ditas “mudanças climáticas”, cientistas e a mídia alarmista exageram e repetem incessantemente teses sobre os “perigos que ameaçam o planeta”; entretanto, estes vêem sendo desmentidos com base científica
As hipóteses mais alarmistas em torno do aquecimento global vêm sendo levantadas aqui, lá e acolá, como recentemente na COP 15, em Copenhague (Dinamarca), de modo a inquietar profundamente os espíritos. A respeito delas Catolicismo tem procurado prevenir seus leitores, oferecendo a apreciação de renomados cientistas que, fundamentados em estudos sérios, contestam essa visão patrocinada pela própria ONU.
Não deixa de chamar a atenção que tais cientistas, pelo simples fato de esclarecerem o verdadeiro alcance da ação humana nas mudanças climáticas, passaram a ter seus nomes e os resultados das suas pesquisas boicotados, especialmente na divulgação da mídia quando aborda o assunto. Entretanto cresce a cada dia, na Europa como nos Estados Unidos, o número dos que se contrapõem aos alarmistas do clima.
Sobre este importante assunto, Catolicismo entrevistou o professor Luiz Carlos Baldicero Molion, formado em Física pela USP, com doutorado em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin (EUA) e pós-doutorado na Inglaterra. Ex-diretor e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Prof. Molion leciona atualmente na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Maceió, onde também dirige o Instituto de Ciências Atmosféricas (ICAT).
* * *
Prof. Molion: “Simulações com modelos de clima não passam de meros exercícios acadêmicos, não se prestando à formulação de políticas adequadas para o desenvolvimento” |
Catolicismo — O Sr. concorda com as conclusões propagadas pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), de um aquecimento global causado pela ação humana?
Prof. Molion — O IPCC (órgão vinculado à ONU) não comprova que o aquecimento global seja produzido pelo homem. Nos estudos já realizados sobre a variabilidade do clima, o aquecimento global se encontra dentro dos limites da variabilidade natural. É impossível, com o conhecimento atual sobre o clima, identificar e comprovar o possível aquecimento antropogênico.
Na minha versão mais nova do aquecimento, analiso três argumentos básicos:
1) As séries de temperatura média global não são representativas. Nos últimos anos, o número de estações climatométricas viu-se drasticamente reduzido — por volta de 14 mil no final da década de 1960, para menos de 1.000 hoje — pelo Goddard Institute for Space Studies (Dr. James Hansen), NASA. A maior parte das estações desativadas se encontrava na zona rural. As localizadas nas cidades sofrem o efeito da urbanização, o chamado “efeito ilha de calor”, que produz certa tendência de aquecimento.
2) O aumento da concentração de CO2 não se correlaciona com aumento de temperatura. Após o término da II Guerra Mundial, o consumo de petróleo se acelerou, no entanto a temperatura média global diminuiu. Em eras passadas –– como os interglaciais, de 130 mil, 250 mil e 360 mil anos atrás –– as temperaturas estiveram mais elevadas que as atuais, embora com concentrações de CO2 inferiores. Portanto, não é o CO2 que aumenta a temperatura do ar, e sim o contrário: o aumento da temperatura provoca aumento da concentração de CO2, principalmente devido ao aquecimento dos oceanos.
3) Finalmente, os modelos de clima utilizados para as “projeções” da temperatura média global nos próximos 100 anos ainda são incipientes, não representam a complexidade e as interações dos processos físicos que determinam o clima. Os cenários utilizados pelo IPCC são hipotéticos, e muito provavelmente não virão a se concretizar, pois os oceanos, ao se resfriar, passarão a absorver mais CO2. Ou seja, as simulações com modelos de clima não passam de meros exercícios acadêmicos, não se prestando à formulação de políticas adequadas para o desenvolvimento da sociedade.
Catolicismo — O que realmente vem acontecendo com a temperatura da Terra? Por exemplo, como o derretimento das calotas polares pode ser explicado?
Prof. Molion — Não se pode negar que a temperatura global aumentou nos últimos 100 anos, porém isso aconteceu por processos naturais, e não antrópicos (provocados pela ação do homem sobre a vegetação). O gelo do Ártico já derreteu entre 1920–1945, quando o homem lançava menos de 10% do carbono que lança hoje na atmosfera. A cobertura de gelo em 2009 já foi maior que a de 2007, após esse inverno severo do hemisfério norte (América do Norte, Sibéria e China).
A permanência do gelo depende do transporte de calor feito pelas correntes marítimas –– a corrente (quente) de Kuroshio, no Pacífico (Japão), e a corrente (quente) do Golfo do México, no Atlântico. Esta última, quando mais ativa como no período 1995-2007, transporta mais calor para o Ártico e derrete o gelo flutuante. Ao derreter, o gelo não eleva o nível do mar, pois já desloca o volume que vai ocupar quando fundir. Esse transporte de calor é em parte controlado por um ciclo lunar de 18,66 anos, que esteve em seu máximo em 2005-2006. Estudos indicaram que o gelo continental em cima da Groenlândia permanece lá desde a última era glacial, há mais de 15 mil anos. O gelo da Antártica (Pólo Sul), por sua vez, continuou a crescer nos últimos 60-70 anos.
Catolicismo — Que outros estudos desqualificam o consenso dos cientistas vinculados à ONU? Que livros e autores o Sr. recomendaria?
Les Très Riches Heures du duc de Berry, Junho época da colheita – Séc. XV, Museu Condé, Chantilly (França) |
Prof. Molion — Dois livros: The Chilling Stars, a New Theory of Climate Change, de Henrik Svensmark e Nigel Calder; e The Unstoppable Global Warming – Every 1.500 Years, de Fred Singer e Dennis Avery. Outros artigos podem ser encontrados na lista de referências bibliográficas dos meus artigos publicados.
Fato digno de nota é que nos últimos dois mil anos reconhecidamente houve, no período medieval entre os anos 800-1200, um aquecimento global maior que o atual, o chamado “Ótimo Climático Medieval”. Esse aquecimento permitiu que os nórdicos (vikings) colonizassem o norte do Canadá e o sul da Groenlândia (Terra Verde), hoje coberta de gelo. E as concentrações de CO2 eram inferiores a 280 ppmv (partículas por volume) na época, de acordo com as estimativas.
Catolicismo — Como o Sr. avalia a cobertura da imprensa brasileira e internacional em relação às alardeadas mudanças climáticas e outras questões ambientais com as quais a sociedade moderna se depara?
Prof. Molion — Infelizmente, a imprensa nacional e estrangeira dá ênfase exagerada ao aquecimento antropogênico do clima. Em particular a nossa mídia, televisionada e escrita, apenas repete o que vem de fora, sem fazer críticas. Talvez isso ocorra por falta de conhecimento e desinteresse dos jornalistas pelo tema, ou por interesses dos controladores desses veículos de comunicação.
A mídia vem anestesiando, impondo aos cidadãos comuns o que se convencionou chamar de “lavagem cerebral”, ficando a impressão de que o homem é responsável pela mudança do clima –– o seu grande vilão. Como veículo de informação, a mídia deveria ser neutra, ouvir opiniões contrárias e tentar apenas relatar o conhecimento científico comprovado e suas limitações. Isso já aconteceu antes. No início dos anos 1940, dizia-se que o mundo estava “fervendo e estava sufocante” com o aquecimento natural ocorrido entre 1925-1946. No início dos anos 1970, ao contrário, dizia-se que estávamos à beira de uma nova era glacial, devido ao resfriamento global que ocorreu entre 1947-1976. Em adição, como argumento de que o clima está mudando, exploram os eventos meteorológicos catastróficos que ocorrem. Eventos severos sempre ocorreram no passado, muito antes de o CO2 chegar a essa concentração.
A maior seca no nordeste do Brasil ocorreu em 1877-1879, durante a qual, segundo Euclides da Cunha em Os Sertões, meio milhão de nordestinos morreram. As três maiores cheias em Manaus ocorreram em 1953, 1976 e 1922, quando o Pacífico estava frio. A cheia recorde de 2009 também ocorreu com o Pacífico frio e com a “temperatura média global” em declínio, constatação feita com dados de satélites nos últimos 10 anos.
O furacão mais mortífero nos Estados Unidos ocorreu em 1900 em Galveston, no Texas, ceifando a vida de mais de 10 mil pessoas. Nessa época, a densidade populacional era seis vezes menor que a de hoje. É preciso não confundir intensidade dos fenômenos meteorológicos com vulnerabilidade da sociedade, que aumenta com o crescimento populacional.
Ademais, a sociedade tende a se aglomerar em grandes cidades, tornando mais catastrófico atualmente um fenômeno com a mesma intensidade de outro que houve no passado. O homem não tem capacidade de mudar o clima global, mas sim de modificar seu entorno, seu próprio ambiente.
Catolicismo — O Sr. crê na idéia de que a aplicação do Protocolo de Kyoto produz efeitos no clima da Terra? E quanto ao Protocolo de Montreal, que obrigou os 191 países signatários a extinguirem o CFC (clorofluorcarbono) e outras substâncias destruidoras de ozônio?
Prof. Molion — Sob o ponto de vista de efeito estufa e de aquecimento global, o Protocolo de Kyoto é inútil, assim como o serão quaisquer tentativas de reduzir as concentrações de carbono na atmosfera para “combater o efeito estufa”. Nele é proposta uma redução de 5,2% das emissões, comparadas aos níveis dos anos 1990. Estamos falando de cerca de 0,3 bilhões de toneladas de carbono por ano (GtC/a). Para se ter uma idéia, estima-se que os fluxos naturais entre os oceanos, solos e vegetação somem cerca de 200 GtC/a. O grau de imprecisão admitido nessas estimativas, perfeitamente aceitável, é de 20%. Isso representa um total de 40 GtC/a para cima ou para baixo (80 GtC/a), 13 vezes mais do que o homem coloca na atmosfera e 270 vezes a redução proposta por Kyoto.
Catolicismo — Atualmente não se fala mais da camada de ozônio. O que ocorreu?
O sol está iniciando um novo mínimo do ciclo de 90 anos, e estará com atividade baixa nos próximos 22 anos |
Prof. Molion — Com a minha idade e conhecimento dessa área, já vi ocorrer num passado próximo algo muito semelhante, utilizando exatamente a mesma “receita”: a eliminação dos compostos de clorofluorcarbono-CFCs (Protocolo de Montreal), sob a alegação de destruírem a camada de ozônio.
Em minha opinião, foi uma grande farsa, um grande golpe econômico para que as indústrias detentoras de patentes dos substitutos –– que têm suas matrizes no G7, e lá pagam impostos sobre seus lucros –– explorassem os países em desenvolvimento, particularmente os tropicais (Brasil, Índia…) que precisam de refrigeração a baixo custo.
Sabe-se que a concentração de ozônio depende da atividade solar, mais especificamente da produção de radiação ultravioleta (UV). Ou seja, o ozônio não filtra a UV, e sim a UV é consumida, retirada do fluxo solar para a formação do ozônio. O sol tem um ciclo de 90 anos. Esteve num mínimo desse ciclo nas primeiras duas décadas do século XX e apresentou um máximo em 1957/58, Ano Geofísico Internacional, quando a rede de medição das concentrações de ozônio se expandiu e os dados de ozônio passaram a ser amplamente coletados e disseminados.
A partir dos anos 1960 a atividade solar (UV) começou a diminuir, e a camada de ozônio teve suas concentrações reduzidas paulatinamente. O sol está iniciando um novo mínimo do ciclo de 90 anos, e estará com atividade baixa nos próximos 22 anos, até por volta de 2035. Nesse período a camada de ozônio atingirá seus valores mínimos desde que começou a ser monitorada. Mas, como os CFCs já foram praticamente eliminados, e a exploração econômica já foi resolvida, não se fala mais sobre o assunto.
Em princípio, o sol só voltará a um máximo, semelhante ao dos anos 1960, por volta do ano 2050. Só aí, possivelmente, é que a camada de ozônio venha atingir os mesmos níveis dos anos 1950/60. O aquecimento global antropogênico segue a mesma “receita” que eliminou os CFCs. Esses gases estáveis, não tóxicos e não-corrosivos, tinham um terrível “defeito”: não pagavam mais direitos de propriedade (“royalties”). Hoje se vê claramente quem foram os beneficiados por tal falcatrua. Os do aquecimento global antropogênico ainda não são óbvios, mas a História dirá!
Catolicismo — O que pode ser feito para o meio ambiente?
Prof. Molion — Usar os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL): atividades humanas que reduzam a poluição (note: poluição, e não CO2!) do ar, das águas e dos solos, reflorestamento de áreas degradadas. São medidas sempre muito bem-vindas, e devem ser apoiadas. É importante não confundir conservação ambiental com mudanças climáticas. Aqueça ou esfrie, temos de conservar o ambiente.
Catolicismo — A elevada concentração na atmosfera de CO2 e outros gases que supostamente causam o efeito estufa não interferem na saúde humana?
Prof. Molion — O principal gás de efeito estufa, se é que esse efeito existe, é o vapor d’água (água na forma de gás). Em alguns lugares e ocasiões sua concentração chega a ser 100 vezes superior à do CO2. Este, por sua vez, é um gás natural, é o gás da vida. Na hipótese, altamente improvável, de eliminarmos o CO2 da atmosfera, a vida cessaria na Terra. O homem e os outros animais alimentam-se das plantas. Eles não produzem os alimentos que consomem. São as plantas que o fazem, por meio da fotossíntese, absorvendo CO2 e produzindo amidos, açúcares e fibras. Outros gases, como metano e óxidos de nitrogênio, estão presentes em concentrações muito baixas, que não causam problemas.
Fala-se muito que o aumento da temperatura global provocaria ipso facto uma proliferação do número de doenças que dependem de mosquitos como vetores (febre amarela, malária, dengue, por exemplo). Convém lembrar que a malária matou milhares de pessoas na Sibéria nos anos 1920, um período muito frio, e que já foi encontrado Aedes aegypti vivendo a –15°C (abaixo de zero). Esses mosquitos continuam matando seres humanos e já sobreviveram a climas mais quentes e mais frios. Portanto, o problema seria mais de saneamento básico do que de clima. Entretanto, todo esforço que se fizer para diminuir a poluição do ar, águas e solos será muito benéfico para a humanidade.
A propósito, as concentrações de metano se estabilizaram nos últimos 20 anos, embora continuem a se expandir as atividades agropecuárias, como orizicultura e pecuária ruminante.
Catolicismo — Essa questão do metano está sendo muito falada. A pressão ambientalista aponta a pecuária e o desmatamento como os principais vilões no Brasil. Nossa agroindústria seria uma das piores intoxicadoras do planeta com CO2. Qual a base científica para tais afirmações, no que diz respeito à emissão de metano pelo gado ruminante? Em um filme de ambientalistas holandeses, estes chegam a apresentar o desenho de um boi poluindo mais que quatro veículos…
Orizicultura: cultivo de arroz em lavouras |
Prof. Molion — O metano é resultante da fermentação anaeróbia da matéria orgânica (vegetal e animal). Arrozais, animais ruminantes e cupins são produtores de metano. Também o são as áreas com vegetação alagadas periodicamente (como os milhares de hectares das várzeas amazônicas). Entretanto, apesar de as áreas cultivadas com arroz terem aumentado e os ruminantes estarem crescendo à taxa de 17 milhões de animais por ano (o Brasil já passou de 200 milhões de cabeças), a concentração de metano se estabilizou, segundo as medições da rede da NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera, irmã da NASA, USA), e tem mostrado taxas anuais negativas (ou seja, decréscimo de concentração). Ninguém sabe o porquê disso, nem mesmo o maior especialista em metano, Aslam Khalil, da Universidade Estadual de Portland (EUA). Os nossos rizicultores e pecuaristas podem, portanto, respirar aliviados, pois não têm culpa alguma.
Em minha opinião, o metano chegou à concentração de saturação nas condições de temperatura e pressão atmosférica atuais. O metano adicional (já que as fontes continuam aumentando) que vem sendo lançado na atmosfera está sendo absorvido, muito provavelmente pelos oceanos. Mais uma evidência de que as atividades humanas não alteram nem a concentração atmosférica dos chamados gases de efeito estufa nem o clima (ou temperatura) do planeta. Ao contrário, sua concentração é dependente da temperatura. Como o planeta vem esfriando, e haverá um resfriamento global nos próximos 20 anos, as concentrações desses gases vão diminuir. Começou com o metano e chegará a vez do CO2. Mas isso é negado na palhaçada em Copenhague, por ocasião da reunião da COP 15.
Catolicismo — O Sr. gostaria de fazer algumas considerações finais?
Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion |
Prof. Molion — O homem não tem condições de mudar o clima global, mas grande capacidade de modificar/destruir seu ambiente local. A Terra se compõe de 71% de oceanos e 29% de continentes. A metade desses 29% é constituída de gelo (geleiras) e areia (desertos), enquanto 7 a 8% do restante encontram-se cobertos com florestas nativas e plantadas. O homem manipula, então, cerca de 7% da superfície global, não podendo portanto destruir o mundo.
Os oceanos, juntamente com a atividade solar, são os principais controladores do clima global. Mas existem outros controladores externos, como aerossóis vulcânicos, e possivelmente raios cósmicos galácticos, que podem interferir na cobertura de nuvens.
Em resumo, o clima da Terra não é resultante apenas do efeito estufa ou do CO2 e sua concentração. Ele é produto de tudo aquilo que ocorre no universo e interage com o nosso planeta. Como foi dito, a conservação ambiental independe de mudanças climáticas e é necessária para a sobrevivência da humanidade.
Fonte: Revista Catolicismo.
RECORDE!
Ontem, dia 26 de maio de 2010, o blog da Comissão do Meio Ambiente da OAB/SP Subseção Santo Amaro, bateu um recorde. 94 acessos!
Com um pouco mais de um mês de existência, nosso blog, está a todo vapor. Com notícias todos os dias e artigos semanais, estamos melhorando a cada dia.
Obrigado aos leitores que prestigiam nosso trabalho. Trabalhamos para vocês.
Primeiro post!
Da redação.
Este é o primeiro post da Comissão do Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Santo Amaro.
Inauguramos este blog sob a presidência do Doutor Cláudio Schefer e coordenadores da Comissão: Dra Maria Lúcia Endo e Dr. Armando Varroni Neto.
A Comissão do Meio Ambiente é integrante da Subseção de Santo Amaro da Ordem dos Advogados do Brasil e tem o objetivo de zelar pelos assuntos relativos à proteção e defesa do meio ambiente; promover estudos, cursos, seminários e outras atividades culturais objetivando a divulgação, análise e aprimoramento da legislação pertinente à defesa e proteção do meio ambiente; promover e manter intercâmbio e firmar convênios com outros organismos e entidades de proteção e defesa do meio ambiente na área da Subseção.
Por meio deste blog, os integrantes da Comissão, esperam contribuir para a discussão dos temas ambientais da comunidade santamarense, trabalhando pela educação ambiental e servindo de ponto de apoio a todos que militam, trabalham ou contribuem de alguma forma pela melhoria da qualidade de vida da região.
Estamos trabalhando!
Sejam bem-vindos!
Dra. Maria Lucia Endo – Coordenadora
Dr. Armando Varroni Neto – Coordenador
Dr. Carlos Alberto Latorre de Oliveira – Editor do blog
Dr. Rafael Guimarães Rosset – Secretário
Dr. Rodrigo Ferreira Pimentel Monteiro de Barros – twitter
Dr. Ruy Zoubaref de Oliveira
Dra. Adriana A. B. Penteado
Dra. Rosangela Maria Girão Lopes
Dr. Jesus de La E. Pacheco
Dr. Rodrigo Rabelo Reis
Dra. Sandrine Vieira Jonsson
Dra. Silvia Ferreira Barros
Dra. Marta Fernandes de Souza

A revista “Time” de 31-1-1977 apresentou como título de capa “O grande congelamento”, referindo-se a outro momento de transição entre períodos de resfriamento e aquecimento.
A mesma revista, em 3-4-2006, mudou o enfoque de 1977, com reportagem sobre o aquecimento global sob o título: “Fiquem preocupados. Muito preocupados”.
Vulcão Pinatubo, nas Filipinas
Prof. Molion: “Simulações com modelos de clima não passam de meros exercícios acadêmicos, não se prestando à formulação de políticas adequadas para o desenvolvimento”
Les Très Riches Heures du duc de Berry, Junho época da colheita – Séc. XV, Museu Condé, Chantilly (França)
O sol está iniciando um novo mínimo do ciclo de 90 anos, e estará com atividade baixa nos próximos 22 anos
Orizicultura: cultivo de arroz em lavouras
Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion